Uma oficina do Trabalho que Reconecta
- Dia 30/05/26, das 13h às 18h
- Em São Lourenço da Serra – SP
- Facilitação: Marina Alves
- Contribuição livre (sugestão: R$ 80)
O Trabalho que Reconecta (TQR) é uma metodologia vivencial para o cultivo de lucidez, resiliência e serviço engajado e eficaz pela Terra diante das múltiplas crises dos nossos tempos.
Suas práticas, desenvolvidas pela ecofilósofa Joanna Macy e facilitadores de todo o mundo ao longo de mais de quatro décadas, estão enraizadas na ecologia profunda, no pensamento sistêmico, na sabedoria de tradições espirituais (como o budismo mahayana e cosmovisões ameríndias) e no pensamento decolonial e antiopressão.
Refúgio é um espaço-tempo ritual para que possamos tecer coletivamente este trabalho, sob a orientação das árvores, águas e pássaros da Mata Atlântica em São Lourenço da Serra, a 60 km de São Paulo.


O que significa retornar para casa quando o lugar de onde partimos não existe mais?
É tempo, mais do que nunca, de aprender com pessoas refugiadas, seres escravizados, povos indígenas, biomas ameaçados, espécies em extinção e todos os seres que seguem pulsando vida, mesmo confrontados de novo e de novo com o fim do mundo que conheciam.
São seres que, através de sua rexistência, ensinam que é possível rejeitar as monoculturas e as dualidades, gingar a história linear de apocalipse inevitável (e sua outra face, o final feliz da princesa virgem salva pelo intrépido homem armado). Que é possível — e urgente — abraçar as brechas, as histórias atípicas, sincréticas e simbióticas, render-se ao chão da floresta, relaxar a noção tão tensa e densa de “eu” individual até que ela se dissolva e se decomponha… E ouvir: o que vibra no espaço aberto? Quais histórias muito mais vastas, muito mais antigas, conectam mentes e micélios, rios e veias, bactérias e xamãs, montanhas e ancestrais, onças, cipós e nossos sonhos em uma grande canção? Como escutar e cantar em ressonância?
Quando tiramos o humano do centro, honramos os ciclos de vida-morte-vida e deixamos que eles fluam através da sinceridade dos nossos corações, quando nos abrimos para que o enxurro das enchentes flua através das nossas lágrimas, que a fúria das florestas em chamas crepite em nossa raiva, que a poeira das montanhas devoradas pela mineração paire sobre nossa angústia paralisante… nos abrimos também para a potência criativa ilimitada da vida, o amor luminoso que imagina e tece toda a realidade momento a momento desde o início dos tempos.
O caminho do refúgio, com a paciência e humildade fundamentais em tempos urgentes e estridentes, talvez passe por aqui: não em querer “salvar” a Terra, mas ser a Terra, sermos instrumentos por onde sopre a inteligência regenerativa da vida. E então cada ação mínima que seja se torna inconcebivelmente grande pelos poderes invisíveis da interdependência…. e tem todos os seres de Gaia como coautores, como testemunhas.
É possível que nas rachaduras das ruínas de tudo que poderia ter sido esteja o espaço para tomar refúgio em quem nós sempre fomos.

